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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2026
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10/02/2026 - Tributação das Micro e Pequenas Empresas na Reforma Tributária: visão empresarial, riscos e controles essenciais
Alaxendro Rodrigo Dal Piva A tributação sempre foi um dos principais fatores de impacto sobre a competitividade, a rentabilidade e a sustentabilidade das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (MPEs). Com a Reforma Tributária sobre o consumo, esse tema deixa de ser apenas operacional e passa a ocupar uma posição estratégica na gestão empresarial. Mais do que entender novas siglas ou mudanças legais, empresários e gestores precisam compreender como o novo sistema afeta preços, margens, fluxo de caixa, relacionamento com clientes e tomada de decisão — e, principalmente, quais controles devem ser fortalecidos para atravessar esse período de transição com segurança.   O novo contexto tributário e seus impactos nas MPEs A Reforma Tributária propõe a substituição gradual de tributos indiretos tradicionais — ICMS, ISS, PIS e COFINS — por dois novos tributos sobre o consumo: - IBS (Imposto sobre Bens e Serviços); - CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). O objetivo central é simplificar o sistema, reduzir cumulatividade e ampliar a transparência. Contudo, para as MPEs, especialmente as optantes pelo Simples Nacional, essa mudança traz impactos relevantes: - Redefinição da lógica de creditamento tributário; - Alterações na formação de preços; - Mudança na competitividade em cadeias B2B; - Necessidade de reavaliar o regime tributário mais eficiente. Tributação das Micro e Pequenas Empresas na Reforma Tributária: Visão Empresarial, Riscos e Controles Essenciais   Simples Nacional: vantagens, distorções e riscos no cenário de transição O Simples Nacional foi concebido para reduzir burocracia e carga administrativa. Suas vantagens são conhecidas: - Unificação de tributos; - Simplificação das obrigações acessórias; - Previsibilidade de desembolso mensal.   Por outro lado, no contexto da Reforma Tributária, surgem distorções importantes: - O imposto pago no Simples não gera crédito integral para o cliente; - Empresas do Simples podem perder competitividade em mercados B2B; - Margens podem ser pressionadas para compensar a ausência de crédito; - A escolha do regime deixa de ser apenas “menos imposto” e passa a ser estratégia de mercado. Nesse cenário, erro de enquadramento, omissão de receitas e planejamento inadequado tornam-se riscos fiscais ainda mais relevantes.   Comparação estratégica entre Simples, Lucro Presumido e Lucro Real A Reforma Tributária reforça a necessidade de comparação técnica e gerencial entre regimes tributários: - Simples Nacional: vantajoso para mercados B2C e empresas com baixa complexidade operacional; - Lucro Presumido: equilíbrio entre carga tributária, simplicidade e competitividade em cadeias empresariais; - Lucro Real: maior controle, melhor aproveitamento de créditos e alinhamento com margens reais, embora com maior complexidade.   A escolha do regime passa a depender de fatores como: - Perfil dos clientes; - Estrutura de custos; - Margem de contribuição; - Capacidade de controle e governança. Não se trata apenas de pagar menos imposto, mas de sustentar resultados no médio e longo prazo.   Controles essenciais para as MPEs no novo ambiente tributário Com a intensificação da fiscalização eletrônica e do cruzamento de dados, a gestão tributária precisa estar integrada à gestão financeira e de processos. Alguns controles tornam-se indispensáveis: Controle de Faturamento e Enquadramento - Monitoramento contínuo do limite do Simples; - Análise preventiva de desenquadramento; - Revisão periódica de CNAEs e atividades.   Controle de Custos e Margens - Apuração correta da margem de contribuição; - Avaliação do impacto tributário nos preços; - Simulações comparativas entre regimes.   Compliance Tributário e Fiscal - Cumprimento rigoroso das obrigações acessórias; - Conciliação entre dados contábeis, fiscais e financeiros; - Redução de contingências e riscos de autuação.   Planejamento Tributário Lícito - Simulações antes da tomada de decisão; - Avaliação periódica do regime tributário; - Decisões baseadas em dados, não em “sensações”.   Tributação como instrumento de decisão e sustentabilidade No novo cenário, a tributação deixa de ser apenas um custo inevitável e passa a ser um instrumento de decisão estratégica. Empresas que adotarem uma postura proativa, com controles adequados e visão gerencial, estarão mais preparadas para: - Manter competitividade; - Proteger margens. - Reduzir riscos fiscais. - Sustentar crescimento de forma consciente. A Reforma Tributária não elimina desafios, mas premia quem gerencia melhor.   Considerações Para as Micro e Pequenas Empresas, o verdadeiro risco não está na Reforma Tributária em si, mas na falta de preparo para lidar com ela. Gestão tributária eficiente exige informação, controles, simulações e decisões fundamentadas. Mais do que escolher um regime, é preciso governar a tributação como parte da estratégia empresarial.   REFERÊNCIAS BRASIL. Lei Complementar nº 123/2006 – Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. BRASIL. Emenda Constitucional nº 132/2023 – Reforma Tributária sobre o consumo. Receita Federal do Brasil. Simples Nacional – legislação e manuais. FABRETTI, Laércio. Contabilidade Tributária. Atlas. PÊGAS, Paulo Henrique. Manual de Contabilidade Tributária. Atlas. IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARION, José Carlos. Contabilidade Empresarial. Atlas.  
28/01/2026 - A Nova DRE e a Gestão por Resultados: Clareza, Controle e Decisão Estratégica
Alaxendro Rodrigo Dal PivaNa AFinanceiro, acreditamos que gestão financeira de verdade começa com informação clara, confiável e orientada à decisão. Dentro dessa visão, a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) assume um papel central, deixando de ser apenas um relatório contábil e passando a ser uma ferramenta estratégica de gestão e controle dos resultados organizacionais. Assim, a nova estrutura da DRE, alinhada às melhores práticas internacionais (IFRS 18), representa um avanço importante para empresários que buscam maturidade na gestão, sustentabilidade dos resultados e maior previsibilidade na tomada de decisão.   O que muda na nova DRE – na prática do empresário A principal evolução da nova DRE está na forma como o resultado é organizado e apresentado, trazendo maior clareza sobre a origem do desempenho da empresa. O foco passa a ser a separação objetiva entre: Resultado Operacional: desempenho real da atividade principal do negócio; Resultado Financeiro: impacto das decisões de financiamento, juros, endividamento e aplicações; Tributos: efeito da carga tributária sobre o resultado final.   Com isso, o Resultado Operacional ganha protagonismo, permitindo ao empresário responder com precisão perguntas essenciais como: Meu negócio é realmente lucrativo na operação? Os custos e despesas estão compatíveis com o nível de faturamento? O resultado está sendo consumido por ineficiências operacionais ou por decisões financeiras? Essa leitura mais clara reduz distorções, evita análises superficiais e fortalece a gestão por indicadores, princípio fundamental da metodologia aplicada pela AFinanceiro em seus programas de resultados e consultorias.   Estrutura conceitual da Nova DRE (visão gerencial) Na nova abordagem, a DRE passa a evidenciar claramente os blocos de desempenho: Receita Operacional Líquida Custos e Despesas Operacionais → Resultado Operacional (núcleo da análise gerencial) Resultado de Investimentos e Financiamentos → Resultado Antes dos Tributos Tributos (IR e CSLL) → Resultado Líquido do Exercício   Essa estrutura aproxima a contabilidade da gestão, permitindo análises mais precisas de margem operacional, eficiência produtiva, estrutura de custos e impacto financeiro.   Quadro Comparativo – DRE Tradicional × Nova DRE DRE Tradicional Nova DRE (visão gerencial) Receita Líquida Receita Operacional Líquida (–) Custos (–) Custos Lucro Bruto Resultado Bruto (–) Despesas Operacionais (–) Despesas Operacionais Resultado Operacional (nem sempre claro) RESULTADO OPERACIONAL (destaque central) Resultado Financeiro agregado Resultado de Investimentos e Financiamentos separados Lucro Antes dos Tributos Resultado Antes dos Tributos Lucro Líquido Resultado Líquido Importante: o lucro final não muda. O que muda é a qualidade da informação para decidir.   Por que isso importa para o empresário? Empresas que utilizam a nova estrutura da DRE conseguem: tomar decisões com base em dados mais confiáveis; identificar gargalos operacionais com maior rapidez; melhorar margens e eficiência; alinhar custos, processos e estratégia; sustentar o crescimento com maior segurança financeira. É exatamente nesse ponto que a atuação da AFinanceiro se diferencia: transformar números em decisões, e decisões em resultados sustentáveis.   “A nova DRE não muda o lucro da empresa. Ela muda a forma de enxergar o negócio — e isso muda, definitivamente, a qualidade das decisões.”
11/12/2025 - Varejo Alimentar Brasileiro em Evolução: Estrutura de Mercado, Digitalização e o Avanço do Cash & Carry
Alaxendro Rodrigo Dal Piva   O varejo supermercadista movimentou R$ 1,067 trilhão em 2024, equivalente a 9,1% do PIB.   O setor combina elevada concentração de faturamento nas maiores redes com forte presença regional. Esta dinâmica exige visão estratégica para compreender impactos competitivos, operacionais e econômicos.   Estrutura de Mercado O setor configura um oligopólio diferenciado, no qual poucas redes nacionais concentram aproximadamente 26% do faturamento, enquanto milhares de operadores regionais sustentam rivalidade e diversidade competitiva.   Barreiras à Entrada As principais barreiras incluem exigência de escala logística, cadeia fria, poder de negociação, tecnologia e complexidade tributária. Investimentos crescentes em dados e automação reforçam as vantagens competitivas das grandes redes.   Diferenciação Competitiva O setor apresenta múltiplos formatos: supermercados tradicionais, hipermercados, lojas de vizinhança e atacarejo. Este último é o maior motor de crescimento do varejo alimentar, respondendo por mais de 30% do faturamento total.   Impactos para Consumidores Entre os benefícios estão preços mais baixos e maior variedade; entre os desafios, menor presença de pequenos fornecedores e deslocamento até lojas atacarejo. A digitalização transforma o relacionamento com o cliente e amplia a fidelização.   Impactos para Fornecedores Grandes redes ampliam o poder de barganha e exigências logísticas. Para pequenos fornecedores, isso representa desafios, mas também oportunidades via marcas próprias e nichos regionais.   Eficiência e Regulação A produtividade logística aumentou significativamente na última década, mas a concentração demanda vigilância concorrencial para garantir contestabilidade de mercado e bom funcionamento competitivo.     Considerações   O setor supermercadista brasileiro possui forte dinamismo competitivo. Para empresários, compreender essa estrutura é fundamental para estratégias de posicionamento, precificação, expansão e eficiência operacional.   A análise da estrutura do setor supermercadista demonstra que o equilíbrio entre competitividade, eficiência e inclusão de fornecedores menores será determinante para o futuro do varejo alimentar brasileiro.Empresas que adotarem estratégias orientadas por dados, inovação logística e foco no consumidor estarão mais preparadas para sustentar crescimento em um ambiente de margens pressionadas e alta rivalidade.   Para gestores e empresários, compreender esses movimentos é essencial para decisões de investimento, parcerias, expansão territorial e construção de vantagens competitivas duradouras.     Referências ·       VASCONCELLOS, M. A. S. Introdução à Economia. SRV Editora, 2012. ·       ABRAS. Ranking ABRAS 2024 e 2025. ·       INVESTSP. Redes supermercadistas faturam R$ 1,067 trilhão em 2024. ·       NIELSENIQ. Panorama do Varejo Alimentar 2024–2025. ·       CNI – Confederação Nacional da Indústria. Relatório de Tendências do Consumo 2024. ·       DELOITTE. Future of Retail: Brasil 2024. ·       MCKINSEY & COMPANY. O Futuro do Varejo no Brasil: Eficiência, Digitalização e Comportamento do Consumidor, 2024.  
01/12/2025 - Gestão Financeira com Propósito: Como a Governança Transforma Organizações e Pessoa
Alaxendro Rodrigo Dal Piva   A governança corporativa e a gestão financeira são elementos essenciais na sustentabilidade e no sucesso das organizações modernas. O administrador financeiro desempenha papel estratégico na interligação entre finanças, ética e governança, promovendo transparência e equilíbrio nas decisões empresariais. Em um ambiente de negócios cada vez mais dinâmico e globalizado, compreender a integração entre essas áreas é fundamental para alcançar resultados duradouros e responsáveis. O administrador financeiro contemporâneo vai além das funções técnicas de controle de custos e elaboração de relatórios. Ele atua como gestor estratégico, responsável por planejar, monitorar e otimizar o uso dos recursos financeiros, alinhando-os à estratégia organizacional. Segundo Assaf Neto (2020) e Chiavenato (2022), a função do administrador financeiro evoluiu de uma postura operacional para uma atuação de liderança, pautada na análise de riscos, inovação e geração de valor sustentável.   A) Conceito de Governança Corporativa: A governança corporativa é o sistema que orienta e controla as empresas, definindo as relações entre acionistas, conselhos e executivos. Busca garantir transparência, equidade e responsabilidade, princípios indispensáveis à confiança dos investidores e da sociedade. De acordo com Chiavenato (2022), ela consolida o equilíbrio entre poder e responsabilidade, reduzindo riscos e promovendo uma gestão ética e eficaz.   B) Histórico da Governança Corporativa: O conceito ganhou força nas décadas de 1980 e 1990, impulsionado por escândalos financeiros e pela necessidade de transparência nas corporações. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), criado em 1995, foi o principal agente de difusão das boas práticas. Internacionalmente, a governança foi consolidada após casos como Enron e WorldCom, que motivaram a criação da Lei Sarbanes-Oxley (2002), marco regulatório que reforçou a responsabilidade dos gestores.   C) Fraudes e Escândalos que Impulsionaram a Governança: Casos como Enron (2001), WorldCom (2002) e Parmalat (2003) evidenciaram falhas éticas e fraudes contábeis, levando ao colapso de grandes empresas. No Brasil, episódios como Banco PanAmericano (2010) e Petrobras (2014) reforçaram a importância de auditoria, compliance e governança. Esses escândalos revelaram que a ausência de controle e ética pode comprometer não apenas empresas, mas a confiança no sistema econômico.   D) Impacto da Governança na Gestão Empresarial: A governança transformou profundamente a gestão das organizações. Hoje, conselhos de administração têm papel ativo na tomada de decisões e na fiscalização da diretoria executiva. Empresas que adotam boas práticas de governança demonstram maior estabilidade, transparência e desempenho financeiro. Segundo o IBGC (2023), a governança é um diferencial competitivo que fortalece a reputação e a atratividade para investidores.   E) Governança em Empresas Públicas: As empresas estatais também passaram a adotar mecanismos de governança, principalmente após a Lei das Estatais (Lei nº 13.303/2016). Essa legislação instituiu critérios técnicos para nomeação de dirigentes e exigências de transparência e compliance. Embora ainda haja desafios, órgãos como TCU e CGU vêm ampliando o monitoramento das práticas, e exemplos como Petrobras e BNDES mostram avanços significativos na governança pública.   F) Princípios da Governança Corporativa segundo a OCDE (1999): A OCDE definiu princípios universais de governança: transparência, equidade e responsabilidade dos conselhos. Esses fundamentos norteiam as decisões corporativas e orientam boas práticas de gestão. São eles: 1) Divulgação de informações claras e tempestivas; 2) Tratamento igualitário a todos os acionistas; 3) Prestação de contas e responsabilidade ética dos conselheiros e executivos.   G) Pilares da Governança Corporativa: De acordo com o IBGC, quatro pilares sustentam a governança: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa. Tais princípios são a base para decisões éticas e estratégicas, que equilibram o retorno financeiro com o compromisso social e ambiental. Quando esses pilares são aplicados, a governança se torna parte da cultura organizacional e não apenas um requisito legal.   H) Boas Práticas de Governança Corporativa: Boas práticas incluem a criação de conselhos independentes, auditorias externas, comitês de risco, compliance e planos de sucessão executiva. Conforme Assaf Neto (2020), a aplicação de tais práticas contribui para a valorização da empresa, a confiança dos investidores e a perenidade dos negócios. A governança eficaz, aliada à boa gestão financeira, aumenta a competitividade e reduz o custo de capital.   I) Caso Enron – “Os Mais Espertos da Sala”: O colapso da Enron é o maior símbolo de falha na governança. A empresa mascarava prejuízos e inflava lucros com manipulação contábil, levando à falência e à perda de milhares de empregos. O caso inspirou reformas e gerou a Lei Sarbanes-Oxley, reforçando a ética e a responsabilidade nos relatórios financeiros. O documentário “Enron: The Smartest Guys in the Room” (2005) evidencia como a ausência de transparência destrói valor e confiança.   J) Perfil do Administrador Financeiro: O administrador financeiro moderno é um estrategista que alia técnica, ética e visão sistêmica. Ele deve compreender o ambiente econômico, dominar ferramentas de análise financeira e incorporar princípios de governança à sua atuação. Segundo Assaf Neto (2020), seu papel é garantir a solidez financeira e promover decisões que equilibrem lucro, sustentabilidade e integridade. Esse profissional é vital para unir finanças, governança e propósito corporativo.   Considerações A integração entre governança corporativa e gestão financeira representa o novo paradigma da administração moderna. O administrador financeiro, quando atua com ética e visão estratégica, torna-se agente de transformação e sustentabilidade. Governança, transparência e responsabilidade são hoje os alicerces de empresas que buscam longevidade e reputação sólida em um mercado competitivo e global.   REFERÊNCIAS ASSAF NETO, A. Finanças corporativas e valor. São Paulo: Grupo GEN, 2020. CHIAVENATO, I. Gestão financeira: uma abordagem introdutória. São Paulo: Grupo GEN, 2022. IBGC. Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa. 6ª ed. São Paulo: IBGC, 2023. OCDE. Princípios de Governança Corporativa. Paris: OECD, 1999. AFYA. Percurso de Aprendizagem – Gestão Financeira: O Papel de Finanças, do Administrador e da Governança Corporativa. Unidade 1. Pato Branco: Afya Educacional, 2025. Documentário: ENRON – The Smartest Guys in the Room. Direção: Alex Gibney. EUA: Magnolia Pictures, 2005.
19/11/2025 - Qualidade de Vida no Trabalho nas Indústrias Brasileiras: Contexto Histórico, Indicadores Recentes e Comparativo Crítico
Alaxendro Rodrigo Dal Piva A Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) nas indústrias brasileiras revela-se não apenas como um conjunto de práticas operacionais, mas como um elemento estratégico essencial para o desenvolvimento sustentável das organizações. A análise histórica demonstra que, ao longo das últimas décadas, a busca por qualidade evoluiu de iniciativas pontuais para uma visão sistêmica, na qual o bem-estar do trabalhador, a eficiência produtiva e a competitividade passam a caminhar lado a lado.A partir da década de 1980, observou-se um movimento crescente de busca pela qualidade nas empresas brasileiras, impulsionado pelo avanço da competitividade e pela necessidade de alinhamento com padrões internacionais de desempenho. Nesse período, organizações passaram a investir de forma mais sistemática na melhoria de seus processos, produtos e ambientes de trabalho como forma de garantir permanência e expansão no mercado (OLIVEIRA, 2004).Na década de 1990, a especialização técnica e a valorização do capital humano aproximaram as empresas das práticas de qualidade, fortalecendo a percepção de que um ambiente de trabalho saudável e motivador favorece o alcance das metas organizacionais. Assim, iniciativas voltadas à Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) passaram a integrar a estratégia de melhoria contínua (OLIVEIRA, 2004).Segundo Garvin (2002), a qualidade deve ser compreendida como uma opção estratégica voltada ao desenvolvimento de práticas integradas que sustentam o sucesso organizacional, ampliando sua visão para além da inspeção e controle. Nesse contexto, a QVT torna-se elemento fundamental para a construção de vantagem competitiva.Nas organizações industriais, a implementação adequada de práticas de qualidade proporciona ambientes de trabalho mais dinâmicos, com estímulo à aprendizagem contínua, autonomia responsável e fortalecimento das competências individuais. Essa postura exige esforço conjunto entre líderes e colaboradores, orientado por valores organizacionais alinhados às exigências do mercado contemporâneo.Davis (2001) destaca que, ao buscar competitividade, as empresas mobilizam seus funcionários com foco na melhoria do desempenho e na eficiência operacional. Essa mobilização requer processos bem definidos e condições de trabalho adequadas, comunicação transparente e valorização humana — pilares essenciais da Qualidade de Vida no Trabalho.Além dos desafios produtivos, organizações modernas enfrentam demandas relativas à sustentabilidade, inovação e transformação digital. De maneira que se torna essencial harmonizar crescimento econômico com cuidado com as pessoas, garantindo a utilização adequada dos recursos tecnológicos e promovendo um ambiente colaborativo, baseado em informação, participação e aprendizado contínuo.Com a implantação de programas de qualidade, os colaboradores percebem claramente as mudanças no ambiente laboral, seja na forma de organização dos processos, na redefinição de responsabilidades ou na valorização das práticas de melhoria contínua. Empresas que analisam adequadamente seus pontos fortes, fragilidades, ameaças e oportunidades estruturam ações mais eficazes de QVT, beneficiando tanto o desempenho empresarial quanto o bem-estar humano. Os indicadores recentes reforçam essa tendência ao evidenciar que organizações que investem em QVT registram maiores níveis de engajamento, menores índices de rotatividade, ambientes mais seguros e maior produtividade. Entretanto, tais benefícios não eliminam os desafios: resistências culturais, custos de implementação e a necessidade de amadurecimento das práticas ainda dificultam avanços mais expressivos em parte das indústrias do país. Indicadores Atuais de QVT (2023–2025)01. Engajamento e Satisfação:73% dos colaboradores afirmam que a QVT influencia diretamente seu nível de engajamento.Empresas com programas de QVT registram até 21% mais produtividade (Gallup, 2023). 02. Saúde Mental:37% dos trabalhadores relatam sintomas de estresse ou ansiedade relacionados ao ambiente laboral (ISMA-BR, 2024).Programas de bem-estar reduzem o absenteísmo em 25%. 03. Retenção e Rotatividade:Empresas com ações estruturadas de QVT reduzem a rotatividade em 32% (ABRH, 2023). 04. Segurança e Clima Organizacional:Práticas de ergonomia reduzem acidentes em até 50%.Ambientes saudáveis têm 45% menos afastamentos por doenças ocupacionais. Vantagens e Desvantagens da QVTVantagens para a empresa:Aumento da produtividade.Redução de custos com absenteísmo e rotatividade.Melhora da imagem organizacional.Alinhamento entre cultura, estratégia e desempenho.Vantagens para os colaboradores:Maior bem-estar físico e emocional.Melhores condições ergonômicas.Satisfação e senso de pertencimento.Oportunidades de desenvolvimento.Desvantagens para a empresa:Custos iniciais mais elevados.Resistência à mudança.Resultados de médio a longo prazo.Riscos de programas simbólicos sem impacto real. Desvantagens para os colaboradores:Aumento das responsabilidades.Necessidade de adaptação constante.Possíveis cobranças por desempenho incrementado. ConsideraçõesNesse contexto, torna-se evidente que a QVT deve ser compreendida como parte integrante da estratégia empresarial, exigindo planejamento, continuidade e participação ativa de todos os níveis hierárquicos. Mais do que uma obrigação normativa ou uma ferramenta de gestão, a QVT representa um compromisso ético com a valorização do ser humano, reconhecendo que a competitividade sustentável depende da capacidade de criar ambientes de trabalho saudáveis, inclusivos e orientados ao desenvolvimento integral das pessoas.Assim, ao compreender seu contexto histórico, analisar seus indicadores contemporâneos e refletir criticamente sobre suas vantagens e limitações, as indústrias brasileiras têm a oportunidade de transformar a Qualidade de Vida no Trabalho em um verdadeiro diferencial estratégico — capaz de fortalecer resultados, promover inovação e contribuir para um futuro mais equilibrado, produtivo e humano.  



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