Empreendedorismo e Empregabilidade em 2025
Alaxendro Rodrigo
Sábado, 31 de Maio de 2025

Estratégias para navegar no Cenário Brasileiro

 

Antes de tomar decisões estratégicas — seja para empreender, buscar uma nova oportunidade profissional ou ajustar um plano de negócios — é fundamental compreender o ambiente econômico em que se está inserido. Os principais indicadores, como PIB, inflação, taxa de juros, câmbio e reformas em andamento, fornecem pistas valiosas sobre riscos, oportunidades e tendências. Entender esse cenário permite alinhar expectativas, mitigar ameaças e potencializar estratégias com mais segurança.

A seguir, veja um panorama objetivo das projeções econômicas do Brasil para o ano de 2025:

a)   PIB (Produto Interno Bruto): Crescimento projetado entre 2,0% e 2,4%.

b)   Inflação (IPCA): Projeção entre 3,7% e 4,0%.

c)   Taxa Selic: Mantida em 10,50% com viés de baixa gradual.

d)   Taxa de Câmbio (Dólar): Projeção entre R$ 4,90 e R$ 5,20.

e)   Reforma Tributária: Implementação em andamento do CBS e IBS, substituindo PIS, Cofins, ICMS e ISS.

f)    Setores em Alta: Tecnologia, agronegócio, energia limpa, saúde e bem-estar.

g)   Riscos e Desafios: Juros altos, burocracia, insegurança jurídica, carga tributária e instabilidade política.

h)   Oportunidades para Investimento: Digitalização de serviços, e-commerce, logística sustentável, alimentos saudáveis e serviços personalizados.

 

1. O Caminho do Empreendedorismo:

 

I – Passos Fundamentais para o Sucesso

No contexto econômico de 2025, com taxas de juros elevadas, inflação pressionada e uma reforma tributária em andamento, empreender exige ainda mais preparo, visão e adaptação.

Abaixo, orientações essenciais para tirar sua ideia do papel e transformá-la em um negócio viável e sustentável:

 

II – Validação de Ideias

Analise seu mercado-alvo, identifique problemas reais e proponha soluções com base em dados. Setores como energia sustentável, tecnologia, agronegócio e bem-estar estão em alta e podem ser oportunidades de ouro.

 

Proposta: Uma startup de entrega com foco em mobilidade elétrica pode unir tecnologia e sustentabilidade, aproveitando o crescimento da demanda por logística verde.

 

Sugestão: Conduza entrevistas com potenciais clientes e valide seu modelo com protótipos simples (MVPs).

 

III – Planejamento Estratégico

Antes de investir, entenda o cenário econômico. A previsão de crescimento do PIB em 2025 é positiva (entre 2,0% e 2,4%), mas o empreendedor precisa considerar a taxa Selic elevada (14,75%) e um dólar projetado acima de R$ 5,80.

 

Proposta: Um empreendedor no setor de importados deve considerar o impacto do dólar em seus custos e precificação.

 

Sugestão: Use ferramentas como Canvas, SWOT, BSC e ERPs gratuitos como o Qipu ou Nibo para controlar suas finanças.

 

IV – Formação da Mentalidade de Crescimento

Empreender é um processo contínuo de aprendizado. Esteja preparado para ajustar o rumo, lidar com riscos e aproveitar oportunidades.

 

Proposta: Empresas como a Nubank pivotaram seu modelo de negócio diversas vezes antes de encontrar o formato ideal.

 

Sugestão: Estabeleça metas claras, mas esteja disposto a reavaliá-las com base nos resultados e feedbacks.

 

V – Importância de Mentores e Conselheiros

Busque apoio de profissionais experientes, especialistas tributários e conselheiros. Com as mudanças da Reforma Tributária, contar com orientação qualificada será fundamental para a sustentabilidade do negócio.

 

Proposta: Programas como o Sebrae Mentoria e redes como Endeavor oferecem acesso a conselheiros com experiência.

 

Sugestão: Participe de comunidades de empreendedores e eventos locais para ampliar sua rede.

 

VI – Atenção ao Planejamento Tributário

Avalie cuidadosamente o regime tributário ideal: Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real.

 

Proposta: Um restaurante pequeno pode economizar milhares ao escolher o Simples Nacional e controlar melhor seus insumos.

 

Sugestão: Consulte um contador antes de formalizar sua empresa.

 

VII – Gestão de Riscos e Ferramentas de Apoio.

Implemente controles, acompanhe indicadores e utilize sistemas de gestão para prever impactos e agir com assertividade.

Proposta: Empresas que usaram reservas financeiras durante a pandemia conseguiram se manter ativas no mercado.

 

Sugestão: Tenha sempre um fundo de emergência com 3 a 6 meses de despesas fixas do seu negócio.

 

"Empreender é agir, corrigir e evoluir constantemente. A coragem de começar, combinada à sabedoria de ajustar o plano quando necessário, é o verdadeiro segredo dos grandes empreendedores."

Dal Piva, A R

 

2. A Saga do Emprego:

 

I - Transformando Desafios em Oportunidades

A transformação do mercado exige um novo perfil de profissional: proativo, adaptável, digital e focado em resultados. Para quem busca destaque e estabilidade, essas são as chaves:

Construção de um Perfil Profissional Forte Invista em experiências, cursos, certificações e networking. Seja protagonista da sua trajetória.

 

Proposta: Participar de hackathons e projetos voluntários é uma forma de adquirir experiência prática.

 

Sugestão: Crie um portfólio online (como LinkedIn ou GitHub) e atualize-o com suas conquistas.

 

II – Educação Contínua

Aprendizado constante é o diferencial. As demandas mudam rapidamente, e quem não se atualiza fica para trás.

 

Proposta: Profissionais de marketing estão aprendendo ferramentas de IA para manter sua relevância no mercado.


Sugestão: Reserve uma hora por semana para cursos online gratuitos (como Coursera, Udemy ou Sebrae).

 

III – Soft Skills e Hard Skills

Equilibre competências técnicas (hard) com emocionais e sociais (soft). Empresas valorizam cada vez mais a capacidade de liderar, comunicar e colaborar.

 

Proposta: Saber programar (hard skill) é importante, mas saber trabalhar em equipe (soft skill) é decisivo em startups.

 

Sugestão: Participe de treinamentos de comunicação não violenta, liderança ou inteligência emocional.

 

IV – Marca Pessoal

Tenha presença digital, compartilhe conhecimento e seja reconhecido por suas habilidades. Sua reputação é um ativo valioso.

 

Proposta: Um profissional que escreve artigos no LinkedIn demonstra autoridade em seu nicho.

 

Sugestão: Publique dicas, participações em eventos e reflexões profissionais nas redes.

 

"Na saga da vida profissional, o verdadeiro herói é aquele que nunca para de aprender, de evoluir e de se adaptar. Em cada desafio está escondida uma nova oportunidade para escrever seu próximo capítulo de sucesso."

Dal Piva, A R

 

Voltar
Confira as Últimas Notícias
28/01/2026 - A Nova DRE e a Gestão por Resultados: Clareza, Controle e Decisão Estratégica
Alaxendro Rodrigo Dal PivaNa AFinanceiro, acreditamos que gestão financeira de verdade começa com informação clara, confiável e orientada à decisão. Dentro dessa visão, a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) assume um papel central, deixando de ser apenas um relatório contábil e passando a ser uma ferramenta estratégica de gestão e controle dos resultados organizacionais. Assim, a nova estrutura da DRE, alinhada às melhores práticas internacionais (IFRS 18), representa um avanço importante para empresários que buscam maturidade na gestão, sustentabilidade dos resultados e maior previsibilidade na tomada de decisão.   O que muda na nova DRE – na prática do empresário A principal evolução da nova DRE está na forma como o resultado é organizado e apresentado, trazendo maior clareza sobre a origem do desempenho da empresa. O foco passa a ser a separação objetiva entre: Resultado Operacional: desempenho real da atividade principal do negócio; Resultado Financeiro: impacto das decisões de financiamento, juros, endividamento e aplicações; Tributos: efeito da carga tributária sobre o resultado final.   Com isso, o Resultado Operacional ganha protagonismo, permitindo ao empresário responder com precisão perguntas essenciais como: Meu negócio é realmente lucrativo na operação? Os custos e despesas estão compatíveis com o nível de faturamento? O resultado está sendo consumido por ineficiências operacionais ou por decisões financeiras? Essa leitura mais clara reduz distorções, evita análises superficiais e fortalece a gestão por indicadores, princípio fundamental da metodologia aplicada pela AFinanceiro em seus programas de resultados e consultorias.   Estrutura conceitual da Nova DRE (visão gerencial) Na nova abordagem, a DRE passa a evidenciar claramente os blocos de desempenho: Receita Operacional Líquida Custos e Despesas Operacionais → Resultado Operacional (núcleo da análise gerencial) Resultado de Investimentos e Financiamentos → Resultado Antes dos Tributos Tributos (IR e CSLL) → Resultado Líquido do Exercício   Essa estrutura aproxima a contabilidade da gestão, permitindo análises mais precisas de margem operacional, eficiência produtiva, estrutura de custos e impacto financeiro.   Quadro Comparativo – DRE Tradicional × Nova DRE DRE Tradicional Nova DRE (visão gerencial) Receita Líquida Receita Operacional Líquida (–) Custos (–) Custos Lucro Bruto Resultado Bruto (–) Despesas Operacionais (–) Despesas Operacionais Resultado Operacional (nem sempre claro) RESULTADO OPERACIONAL (destaque central) Resultado Financeiro agregado Resultado de Investimentos e Financiamentos separados Lucro Antes dos Tributos Resultado Antes dos Tributos Lucro Líquido Resultado Líquido Importante: o lucro final não muda. O que muda é a qualidade da informação para decidir.   Por que isso importa para o empresário? Empresas que utilizam a nova estrutura da DRE conseguem: tomar decisões com base em dados mais confiáveis; identificar gargalos operacionais com maior rapidez; melhorar margens e eficiência; alinhar custos, processos e estratégia; sustentar o crescimento com maior segurança financeira. É exatamente nesse ponto que a atuação da AFinanceiro se diferencia: transformar números em decisões, e decisões em resultados sustentáveis.   “A nova DRE não muda o lucro da empresa. Ela muda a forma de enxergar o negócio — e isso muda, definitivamente, a qualidade das decisões.”
11/12/2025 - Varejo Alimentar Brasileiro em Evolução: Estrutura de Mercado, Digitalização e o Avanço do Cash & Carry
Alaxendro Rodrigo Dal Piva   O varejo supermercadista movimentou R$ 1,067 trilhão em 2024, equivalente a 9,1% do PIB.   O setor combina elevada concentração de faturamento nas maiores redes com forte presença regional. Esta dinâmica exige visão estratégica para compreender impactos competitivos, operacionais e econômicos.   Estrutura de Mercado O setor configura um oligopólio diferenciado, no qual poucas redes nacionais concentram aproximadamente 26% do faturamento, enquanto milhares de operadores regionais sustentam rivalidade e diversidade competitiva.   Barreiras à Entrada As principais barreiras incluem exigência de escala logística, cadeia fria, poder de negociação, tecnologia e complexidade tributária. Investimentos crescentes em dados e automação reforçam as vantagens competitivas das grandes redes.   Diferenciação Competitiva O setor apresenta múltiplos formatos: supermercados tradicionais, hipermercados, lojas de vizinhança e atacarejo. Este último é o maior motor de crescimento do varejo alimentar, respondendo por mais de 30% do faturamento total.   Impactos para Consumidores Entre os benefícios estão preços mais baixos e maior variedade; entre os desafios, menor presença de pequenos fornecedores e deslocamento até lojas atacarejo. A digitalização transforma o relacionamento com o cliente e amplia a fidelização.   Impactos para Fornecedores Grandes redes ampliam o poder de barganha e exigências logísticas. Para pequenos fornecedores, isso representa desafios, mas também oportunidades via marcas próprias e nichos regionais.   Eficiência e Regulação A produtividade logística aumentou significativamente na última década, mas a concentração demanda vigilância concorrencial para garantir contestabilidade de mercado e bom funcionamento competitivo.     Considerações   O setor supermercadista brasileiro possui forte dinamismo competitivo. Para empresários, compreender essa estrutura é fundamental para estratégias de posicionamento, precificação, expansão e eficiência operacional.   A análise da estrutura do setor supermercadista demonstra que o equilíbrio entre competitividade, eficiência e inclusão de fornecedores menores será determinante para o futuro do varejo alimentar brasileiro.Empresas que adotarem estratégias orientadas por dados, inovação logística e foco no consumidor estarão mais preparadas para sustentar crescimento em um ambiente de margens pressionadas e alta rivalidade.   Para gestores e empresários, compreender esses movimentos é essencial para decisões de investimento, parcerias, expansão territorial e construção de vantagens competitivas duradouras.     Referências ·       VASCONCELLOS, M. A. S. Introdução à Economia. SRV Editora, 2012. ·       ABRAS. Ranking ABRAS 2024 e 2025. ·       INVESTSP. Redes supermercadistas faturam R$ 1,067 trilhão em 2024. ·       NIELSENIQ. Panorama do Varejo Alimentar 2024–2025. ·       CNI – Confederação Nacional da Indústria. Relatório de Tendências do Consumo 2024. ·       DELOITTE. Future of Retail: Brasil 2024. ·       MCKINSEY & COMPANY. O Futuro do Varejo no Brasil: Eficiência, Digitalização e Comportamento do Consumidor, 2024.  
01/12/2025 - Gestão Financeira com Propósito: Como a Governança Transforma Organizações e Pessoa
Alaxendro Rodrigo Dal Piva   A governança corporativa e a gestão financeira são elementos essenciais na sustentabilidade e no sucesso das organizações modernas. O administrador financeiro desempenha papel estratégico na interligação entre finanças, ética e governança, promovendo transparência e equilíbrio nas decisões empresariais. Em um ambiente de negócios cada vez mais dinâmico e globalizado, compreender a integração entre essas áreas é fundamental para alcançar resultados duradouros e responsáveis. O administrador financeiro contemporâneo vai além das funções técnicas de controle de custos e elaboração de relatórios. Ele atua como gestor estratégico, responsável por planejar, monitorar e otimizar o uso dos recursos financeiros, alinhando-os à estratégia organizacional. Segundo Assaf Neto (2020) e Chiavenato (2022), a função do administrador financeiro evoluiu de uma postura operacional para uma atuação de liderança, pautada na análise de riscos, inovação e geração de valor sustentável.   A) Conceito de Governança Corporativa: A governança corporativa é o sistema que orienta e controla as empresas, definindo as relações entre acionistas, conselhos e executivos. Busca garantir transparência, equidade e responsabilidade, princípios indispensáveis à confiança dos investidores e da sociedade. De acordo com Chiavenato (2022), ela consolida o equilíbrio entre poder e responsabilidade, reduzindo riscos e promovendo uma gestão ética e eficaz.   B) Histórico da Governança Corporativa: O conceito ganhou força nas décadas de 1980 e 1990, impulsionado por escândalos financeiros e pela necessidade de transparência nas corporações. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), criado em 1995, foi o principal agente de difusão das boas práticas. Internacionalmente, a governança foi consolidada após casos como Enron e WorldCom, que motivaram a criação da Lei Sarbanes-Oxley (2002), marco regulatório que reforçou a responsabilidade dos gestores.   C) Fraudes e Escândalos que Impulsionaram a Governança: Casos como Enron (2001), WorldCom (2002) e Parmalat (2003) evidenciaram falhas éticas e fraudes contábeis, levando ao colapso de grandes empresas. No Brasil, episódios como Banco PanAmericano (2010) e Petrobras (2014) reforçaram a importância de auditoria, compliance e governança. Esses escândalos revelaram que a ausência de controle e ética pode comprometer não apenas empresas, mas a confiança no sistema econômico.   D) Impacto da Governança na Gestão Empresarial: A governança transformou profundamente a gestão das organizações. Hoje, conselhos de administração têm papel ativo na tomada de decisões e na fiscalização da diretoria executiva. Empresas que adotam boas práticas de governança demonstram maior estabilidade, transparência e desempenho financeiro. Segundo o IBGC (2023), a governança é um diferencial competitivo que fortalece a reputação e a atratividade para investidores.   E) Governança em Empresas Públicas: As empresas estatais também passaram a adotar mecanismos de governança, principalmente após a Lei das Estatais (Lei nº 13.303/2016). Essa legislação instituiu critérios técnicos para nomeação de dirigentes e exigências de transparência e compliance. Embora ainda haja desafios, órgãos como TCU e CGU vêm ampliando o monitoramento das práticas, e exemplos como Petrobras e BNDES mostram avanços significativos na governança pública.   F) Princípios da Governança Corporativa segundo a OCDE (1999): A OCDE definiu princípios universais de governança: transparência, equidade e responsabilidade dos conselhos. Esses fundamentos norteiam as decisões corporativas e orientam boas práticas de gestão. São eles: 1) Divulgação de informações claras e tempestivas; 2) Tratamento igualitário a todos os acionistas; 3) Prestação de contas e responsabilidade ética dos conselheiros e executivos.   G) Pilares da Governança Corporativa: De acordo com o IBGC, quatro pilares sustentam a governança: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa. Tais princípios são a base para decisões éticas e estratégicas, que equilibram o retorno financeiro com o compromisso social e ambiental. Quando esses pilares são aplicados, a governança se torna parte da cultura organizacional e não apenas um requisito legal.   H) Boas Práticas de Governança Corporativa: Boas práticas incluem a criação de conselhos independentes, auditorias externas, comitês de risco, compliance e planos de sucessão executiva. Conforme Assaf Neto (2020), a aplicação de tais práticas contribui para a valorização da empresa, a confiança dos investidores e a perenidade dos negócios. A governança eficaz, aliada à boa gestão financeira, aumenta a competitividade e reduz o custo de capital.   I) Caso Enron – “Os Mais Espertos da Sala”: O colapso da Enron é o maior símbolo de falha na governança. A empresa mascarava prejuízos e inflava lucros com manipulação contábil, levando à falência e à perda de milhares de empregos. O caso inspirou reformas e gerou a Lei Sarbanes-Oxley, reforçando a ética e a responsabilidade nos relatórios financeiros. O documentário “Enron: The Smartest Guys in the Room” (2005) evidencia como a ausência de transparência destrói valor e confiança.   J) Perfil do Administrador Financeiro: O administrador financeiro moderno é um estrategista que alia técnica, ética e visão sistêmica. Ele deve compreender o ambiente econômico, dominar ferramentas de análise financeira e incorporar princípios de governança à sua atuação. Segundo Assaf Neto (2020), seu papel é garantir a solidez financeira e promover decisões que equilibrem lucro, sustentabilidade e integridade. Esse profissional é vital para unir finanças, governança e propósito corporativo.   Considerações A integração entre governança corporativa e gestão financeira representa o novo paradigma da administração moderna. O administrador financeiro, quando atua com ética e visão estratégica, torna-se agente de transformação e sustentabilidade. Governança, transparência e responsabilidade são hoje os alicerces de empresas que buscam longevidade e reputação sólida em um mercado competitivo e global.   REFERÊNCIAS ASSAF NETO, A. Finanças corporativas e valor. São Paulo: Grupo GEN, 2020. CHIAVENATO, I. Gestão financeira: uma abordagem introdutória. São Paulo: Grupo GEN, 2022. IBGC. Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa. 6ª ed. São Paulo: IBGC, 2023. OCDE. Princípios de Governança Corporativa. Paris: OECD, 1999. AFYA. Percurso de Aprendizagem – Gestão Financeira: O Papel de Finanças, do Administrador e da Governança Corporativa. Unidade 1. Pato Branco: Afya Educacional, 2025. Documentário: ENRON – The Smartest Guys in the Room. Direção: Alex Gibney. EUA: Magnolia Pictures, 2005.
19/11/2025 - Qualidade de Vida no Trabalho nas Indústrias Brasileiras: Contexto Histórico, Indicadores Recentes e Comparativo Crítico
Alaxendro Rodrigo Dal Piva A Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) nas indústrias brasileiras revela-se não apenas como um conjunto de práticas operacionais, mas como um elemento estratégico essencial para o desenvolvimento sustentável das organizações. A análise histórica demonstra que, ao longo das últimas décadas, a busca por qualidade evoluiu de iniciativas pontuais para uma visão sistêmica, na qual o bem-estar do trabalhador, a eficiência produtiva e a competitividade passam a caminhar lado a lado.A partir da década de 1980, observou-se um movimento crescente de busca pela qualidade nas empresas brasileiras, impulsionado pelo avanço da competitividade e pela necessidade de alinhamento com padrões internacionais de desempenho. Nesse período, organizações passaram a investir de forma mais sistemática na melhoria de seus processos, produtos e ambientes de trabalho como forma de garantir permanência e expansão no mercado (OLIVEIRA, 2004).Na década de 1990, a especialização técnica e a valorização do capital humano aproximaram as empresas das práticas de qualidade, fortalecendo a percepção de que um ambiente de trabalho saudável e motivador favorece o alcance das metas organizacionais. Assim, iniciativas voltadas à Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) passaram a integrar a estratégia de melhoria contínua (OLIVEIRA, 2004).Segundo Garvin (2002), a qualidade deve ser compreendida como uma opção estratégica voltada ao desenvolvimento de práticas integradas que sustentam o sucesso organizacional, ampliando sua visão para além da inspeção e controle. Nesse contexto, a QVT torna-se elemento fundamental para a construção de vantagem competitiva.Nas organizações industriais, a implementação adequada de práticas de qualidade proporciona ambientes de trabalho mais dinâmicos, com estímulo à aprendizagem contínua, autonomia responsável e fortalecimento das competências individuais. Essa postura exige esforço conjunto entre líderes e colaboradores, orientado por valores organizacionais alinhados às exigências do mercado contemporâneo.Davis (2001) destaca que, ao buscar competitividade, as empresas mobilizam seus funcionários com foco na melhoria do desempenho e na eficiência operacional. Essa mobilização requer processos bem definidos e condições de trabalho adequadas, comunicação transparente e valorização humana — pilares essenciais da Qualidade de Vida no Trabalho.Além dos desafios produtivos, organizações modernas enfrentam demandas relativas à sustentabilidade, inovação e transformação digital. De maneira que se torna essencial harmonizar crescimento econômico com cuidado com as pessoas, garantindo a utilização adequada dos recursos tecnológicos e promovendo um ambiente colaborativo, baseado em informação, participação e aprendizado contínuo.Com a implantação de programas de qualidade, os colaboradores percebem claramente as mudanças no ambiente laboral, seja na forma de organização dos processos, na redefinição de responsabilidades ou na valorização das práticas de melhoria contínua. Empresas que analisam adequadamente seus pontos fortes, fragilidades, ameaças e oportunidades estruturam ações mais eficazes de QVT, beneficiando tanto o desempenho empresarial quanto o bem-estar humano. Os indicadores recentes reforçam essa tendência ao evidenciar que organizações que investem em QVT registram maiores níveis de engajamento, menores índices de rotatividade, ambientes mais seguros e maior produtividade. Entretanto, tais benefícios não eliminam os desafios: resistências culturais, custos de implementação e a necessidade de amadurecimento das práticas ainda dificultam avanços mais expressivos em parte das indústrias do país. Indicadores Atuais de QVT (2023–2025)01. Engajamento e Satisfação:73% dos colaboradores afirmam que a QVT influencia diretamente seu nível de engajamento.Empresas com programas de QVT registram até 21% mais produtividade (Gallup, 2023). 02. Saúde Mental:37% dos trabalhadores relatam sintomas de estresse ou ansiedade relacionados ao ambiente laboral (ISMA-BR, 2024).Programas de bem-estar reduzem o absenteísmo em 25%. 03. Retenção e Rotatividade:Empresas com ações estruturadas de QVT reduzem a rotatividade em 32% (ABRH, 2023). 04. Segurança e Clima Organizacional:Práticas de ergonomia reduzem acidentes em até 50%.Ambientes saudáveis têm 45% menos afastamentos por doenças ocupacionais. Vantagens e Desvantagens da QVTVantagens para a empresa:Aumento da produtividade.Redução de custos com absenteísmo e rotatividade.Melhora da imagem organizacional.Alinhamento entre cultura, estratégia e desempenho.Vantagens para os colaboradores:Maior bem-estar físico e emocional.Melhores condições ergonômicas.Satisfação e senso de pertencimento.Oportunidades de desenvolvimento.Desvantagens para a empresa:Custos iniciais mais elevados.Resistência à mudança.Resultados de médio a longo prazo.Riscos de programas simbólicos sem impacto real. Desvantagens para os colaboradores:Aumento das responsabilidades.Necessidade de adaptação constante.Possíveis cobranças por desempenho incrementado. ConsideraçõesNesse contexto, torna-se evidente que a QVT deve ser compreendida como parte integrante da estratégia empresarial, exigindo planejamento, continuidade e participação ativa de todos os níveis hierárquicos. Mais do que uma obrigação normativa ou uma ferramenta de gestão, a QVT representa um compromisso ético com a valorização do ser humano, reconhecendo que a competitividade sustentável depende da capacidade de criar ambientes de trabalho saudáveis, inclusivos e orientados ao desenvolvimento integral das pessoas.Assim, ao compreender seu contexto histórico, analisar seus indicadores contemporâneos e refletir criticamente sobre suas vantagens e limitações, as indústrias brasileiras têm a oportunidade de transformar a Qualidade de Vida no Trabalho em um verdadeiro diferencial estratégico — capaz de fortalecer resultados, promover inovação e contribuir para um futuro mais equilibrado, produtivo e humano.  
10/11/2025 - Da Teoria à Prática: A Comunicação Assertiva como Exercício de Autoconhecimento
Alaxendro Rodrigo Dal PivaA comunicação assertiva é uma das habilidades mais importantes no ambiente empresarial, pois reflete a capacidade de expressar ideias, sentimentos e opiniões de forma clara, objetiva e respeitosa. Diferencia-se de outros estilos comunicativos, como o comportamento passivo — caracterizado pela omissão e pelo receio de desagradar — e o comportamento agressivo, marcado pela imposição e pela falta de empatia.Existe ainda o estilo passivo-agressivo, em que o indivíduo demonstra insatisfação de forma indireta, por meio de ironias ou atitudes ambíguas. Ser assertivo, portanto, é encontrar o equilíbrio entre defender seus direitos e respeitar os direitos dos outros, comunicando-se de modo honesto, direto e empático.Segundo Gross (2013), a assertividade é um instrumento de fortalecimento das relações interpessoais, pois promove o diálogo aberto e evita mal-entendidos que podem gerar conflitos. Quando um profissional se comunica assertivamente, transmite segurança e clareza, contribuindo para ambientes mais saudáveis — tanto no nível pessoal quanto no organizacional. No contexto empresarial, a assertividade é um diferencial para o gestor. Ela influencia diretamente a forma como ele conduz sua equipe, negocia com parceiros, toma decisões e alinha expectativas. Uma liderança assertiva inspira confiança, promove engajamento e favorece um clima organizacional equilibrado, no qual as pessoas se sentem ouvidas e valorizadas.Os benefícios da comunicação assertiva vão além da eficiência da mensagem: ela contribui para o desenvolvimento da autoconfiança, do controle emocional e da empatia. Por meio dessa habilidade, o gestor aprende a expressar limites, dizer “não” quando necessário e, ao mesmo tempo, ouvir o outro com atenção genuína — algo essencial para a tomada de decisões e para o fortalecimento da cultura corporativa.Vivemos em uma sociedade marcada pelo excesso de informações, opiniões divergentes e ritmo acelerado de interações. Nesse cenário, a assertividade torna-se uma ferramenta indispensável para manter o equilíbrio entre razão e emoção — especialmente para quem lidera pessoas e processos. No cotidiano empresarial, situações como reuniões de alinhamento, tratativas com clientes ou feedbacks de desempenho exigem do gestor uma postura firme, empática e estratégica. Uma comunicação assertiva tende a gerar mais resultados positivos do que o silêncio por medo de confronto ou a agressividade que rompe vínculos.Na minha trajetória como gestor de empresa, percebo o quanto a comunicação assertiva tem sido determinante para o fortalecimento das relações internas e externas. Recordo um episódio em que precisei lidar com um conflito entre colaboradores de áreas diferentes. Havia divergências sobre responsabilidades e prazos, o que gerava tensão e queda de produtividade. Optei por expor meu ponto de vista com tranquilidade, ressaltando a importância da colaboração e do foco no resultado coletivo. O diálogo franco permitiu que todos se sentissem ouvidos, o que resultou em um ambiente mais cooperativo e produtivo.Por outro lado, também reconheço que nem sempre consegui manter a assertividade. Em determinada ocasião, por receio de gerar desconforto, deixei de expressar minha opinião sobre uma decisão estratégica que considerei inadequada. O silêncio acabou gerando frustração e desgaste interno, além de perpetuar uma situação que poderia ter sido resolvida com diálogo construtivo. Essas experiências reforçaram em mim a compreensão de que ser assertivo não significa ser confrontador, mas, sim, buscar o equilíbrio entre o que se pensa e o modo como se comunica. A assertividade é uma competência que se desenvolve continuamente. Tenho buscado aprimorar minha escuta ativa, controlar reações emocionais e escolher as palavras com mais consciência, especialmente em momentos de pressão.Procuro também exercitar a empatia, tentando compreender o ponto de vista do outro antes de responder ou decidir.Ao adotar essas atitudes, percebo que fortaleço minha capacidade de liderar com autenticidade e respeito, construindo relações profissionais mais sólidas, humanas e eficazes.Em síntese, a comunicação assertiva não é apenas uma técnica de expressão, mas uma postura de liderança e de vida. Ela exige autoconhecimento, empatia e prática constante. Ao integrar teoria e vivência, compreendo que comunicar-se de forma assertiva é um caminho de crescimento pessoal e profissional, capaz de transformar conflitos em oportunidades e fortalecer os vínculos humanos dentro e fora da empresa. Referência GROSS, Marcos. Dicas práticas de comunicação. 1ª ed. São Paulo: Editora Trevisan, 2013. E-book. ISBN 9788599519479.



Desenvolvido por:

Copyright © 2026 AFinanceiro - Todos os direitos reservados.